Quando eu era criança, antes mesmo de aprender a ler ou escrever eu já escrevia. Ou melhor, fingia. Devo ter até hoje uns cadernos de rabiscos de anotações. Eu adorava seguir as pessoas e escrever o que elas estavam fazendo e dar nome aos objetos e eletrodomésticos da casa. Mais tarde,lá pelos meus 6 anos, quando eu realmente sabia escrever, fazia vários poemas. Muitos eu dei pra minha mãe, mas achei um hoje num papelzinho jogado nas minhas coisas e eis ele aqui:
O mar é lindo e gozado
Você olhando pra ele
Acho graça
E de tanta graça
Também gosto de você
Ler esse poema, depois de tanto tempo me traz uma sensação estranha. É engraçado olhar para algo que eu fiz a mais de 10 anos e tentar lembrar de como eu era, o que eu fazia. Parece que tento me recordar de uma outra pessoa, mas sou eu.
A memória funciona de um jeito difícil de entender. Ainda hoje, voltando pra casa, passei alguns bons minutos para lembrar o que tinha feito segunda feira à tarde, mas foi apenas um papelzinho que me trouxe de volta várias recordações que já tinham ido com o tempo. Se eu tivesse perdido esse poema, talvez nunca me lembraria dele.
Ainda bem que no blog não dá pra perder, tá aqui, pra sempre.
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